Como comecei a ler Ficção Científica

Atualizado: 20 de Fev de 2020


A primeira vez que meus olhos brilharam para física foi quando o professor deu uma palinha sobre a teoria da relatividade.

Fiquei impressionada. Comecei a pesquisar por minha conta o assunto e a gostar mais de filmes de ficção cientifica, deixando os romances “água com açúcar” um pouco de lado. Tinha 17 anos. Até então não tinha lido nada sobre FC. Quando mudei de ideia? Quando comecei a paquerar meu esposo...

Meu irmão já gostava do gênero, mas como “casa de ferreiro, espeto de pau”, nunca lhe dei muita atenção. O divisor de águas foi uma das conversas com o Honey - que naquele 2010 ainda era só Joel para mim.

Estávamos em Franca, voltando de um passeio nada produtivo no planetário da cidade. Ele me deixou na casa de minha tia, onde estava hospedada, e começamos – não consigo me lembrar como -, a falar sobre a Relatividade. Ele tentou de todas as formas me explicar o famoso paradigma do Einstein: depois de uma viagem espacial, dois irmãos gêmeos se reencontram. Qual a surpresa? Um estava mais velho que o outro, porque a vivência do tempo foi diferente para cada um. Conclusão: o tempo é relativo.

Honey e eu no namoro

Eu entendia a lógica, mas minha cabeça não queria aceitava que isso era possível. Hoje, depois de cinco anos daquela conversa na porta da casa da Diera (apelido da minha tia), não lembro em detalhes das explicações do Honey, mas sei que nossa conversa durou mais de uma hora e ele fez gestos e mímicas, simulando que éramos os gêmeos de Einstein.

Com cronômetro a postos, ficamos de pé em um mesmo ponto de partida. Ao dar início à contagem do tempo, andei normalmente e ele correu. Quando pausamos o relógio, estávamos (obviamente) em pontos diferentes. Então, ele me fez perceber que poderíamos multiplicar essa diferença em anos luz!!! Assim, não apenas nosso tempo seria diferente, mas nossa aparência física também.

Preciso escrever que fiquei mais apaixonada depois desse dia?

Poucos meses depois estávamos namorando, depois de dois anos nos noivamos e em 2013 fomos até o cartório de Brasília, com nossos pais, duas testemunhas e cerca de 20 convidados! - Sim, usei o ponto de exclamação porque 20 pessoas no civil é muito! Foi emocionante.

Quanta digressão para enfim chegar no titulo do texto, não é mesmo? Mas acredito que há essa altura vocês, leitores, já entenderam o porquê de todas essas linhas precedentes. Meu Honey já gostava de Issac Asimov e Artur C. Clark. Durante anos (anos!) ele me contava as histórias que lia. Eu gostava, mas o preconceito não me deixava ler esse gênero. Me contentava em ver os filmes - que vergonha.

Não teve outro jeito: cedi. Minha primeira leitura de ficção cientifica foi 2001: uma odisseia no espaço. Escolhi esse livro porque era um impressionante o ardor com que meu esposo lia aquelas paginas, como preferia avançar na madrugada para terminar a leitura. Peguei o livro e não consegui soltar mais.

Não imaginava que seria possível tanto lirismo em uma historia de ficção cientifica. Desde então continuo lendo FC. Nessas férias de julho, tinha planejado ler Dom Quixote, Odisseia, Os Lusíadas... Mas minha primeira leitura de férias não foi nenhum dos cânones. Comecei pelo O Planeta dos Macacos, Pierre Boullie.

Este post, inclusive, seria uma resenha do libro do Boullie. Mas como hoje é meu aniversario de casamento, semana passada assisti a Interestelar e tenho tido outas conversas sobre relatividade com o Honey, meu texto foi mudando de rumo, migrando de espaço e percebi que hoje escreveria algo muito mais pessoal.

Hoje em dia leio com muita paixão ficção cientifica, converso bastante com o Honey sobre o tema, anseio que o ensino da física seja dado com mais entusiasmo e que um dia sejamos capazes de entender o que é (ou o que não é) a dimensão chamada tempo.

Obrigada, Einstein. Obrigada, professor de física que já não me lembro do nome. Muito obrigada, Honey. Todos vocês me ajudaram a gostar de ficção cientifica e isso tem muito peso na minha vida como leitora.

Referências

Filme Interestelar - veja o trailer aqui

#ficçãocientífica #pessoal

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