Na sala de aula - penúltimo encontro

Atualizado: 20 de Fev de 2020


Chegamos à reta final!

Na penúltima aula trabalharíamos o tema que, na minha opinião, é o mais importante do curso de Letras: variedade linguística e preconceito linguístico.

Pretendo escrever um post sobre esses dois temas. Enquanto isso não é possível, sugiro que quem nunca ouviu falar sobre esses dois termos dê uma pesquisada na internet e busque dois livros do professor Marcos Bagno: A língua de Eulália e o bestseller (sim, na linguística também há bestsellers!) Preconceito Linguístico.

Essa aula e a aula sobre Vidas Secas eram as minhas favoritas. Estava bastante ansiosa para ministrá-las.

Carregado de crítica sócio-política e recheado de textos, o material didático pedia atenção, cuidado e preparação. Gostei!

Antes de iniciarmos o tema em si, analisamos período por período de uma redação nota mil no Enem. Foi uma das melhores atividades expositivas e conseguimos dialogar com a primeira atividade da primeira aula, quando estudamos a estrutura geral de um artigo de opinião. Desmembramos o texto, brincamos com ele, revelamos seus segredos e mostramos que escrever bem não é assim tão difícil. (leia a redação clicando aqui)

A Fernanda e eu revezávamos os parágrafos, sempre mantendo uma conversa entre nós duas e os alunos. Todos estavam fazendo anotações, muitos fizeram perguntas e eu me diverti, afinal estava imersa dentro do que amo, a linguagem.

No segundo momento da aula, enfatizamos o tanto que dominar a norma culta/gramática normativa é importante. Sendo mais imediatista, esse domínio lhes ajudaria a entrar na Universidade, por exemplo.

Mas essa norma é uma das várias que existem. Ela deve, sim, ser usada, mas nos contextos adequados. Lembram-se do senhor da aula passada? Os menino viero semana passada? Pois é. Por que a gente insiste em falar que um nativo fala errado a própria língua?

E a discussão começou. Ninguém conhecia a variedade linguística como fenômeno e/ou ciência. Muito menos o que era o preconceito linguístico. Eu mesma, por exemplo, só fui ter essas noções na universidade. Eu era uma preconceituosa e não sabia...

Lemos um texto do Bagno no qual, com um tom bastante equilibrado, explica alguns conceitos sobre variedade linguística. Para não dizer que falamos das flores, trouxemos um texto em que o autor, repleto de argumentos falaciosos, elabora uma argumentação contra os estudos de variação, além de atacar Bagno diretamente.

Alívio: Os alunos perceberam o tom do texto.

Alguns alunos disseram que essa foi a aula mais difícil. Além de ter sido sobre um tema desconhecido, cansaram-se ao ler textos grandes no material didático. Mesmo assim, valeu a pena! Durante a aula, alunos revelaram ter sido vítimas de preconceito linguístico. Espero tê-los ajudado a elaborar argumentos e defesas.

A Fernanda, a Carol e eu havíamos nos preparado para uma dinâmica de debate com o tema: “a variação linguística é uma ameaça à língua portuguesa?”, onde metade da sala seria a favor e a outra, contra.

No entanto, tivemos um contratempo: a turma estava muito vazia! Como estávamos num grupo tão reduzido, não valeria a pena tentar a atividade, todos puderam se expressar anteriormente e havíamos discutido bastante.

Havíamos planejado uma produção para fazer em sala de aula, mas não deu tempo (novidade). Como seria inviável a correção, sugerimos que eles fizessem os textos em casa e nos enviassem por e-mail. Seis pessoas enviaram! Fiquei emocionada. Esses alunos não estavam procurando nota, mas conhecimento. Tem como um professor ir pra casa mais feliz?

Agora ficou aquela sensação de despedida... nosso último encontro seria semana que vem.

E agora?

E depois?

#bastidores #saladeaula #preconceitolinguístico

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