Que voem essas andorinhas! - reflexões finais sobre o estágio docente

Atualizado: 20 de Fev de 2020


Uau! O primeiro post sobre o estágio foi dia 2 de abril!

Muita coisa aconteceu de lá para cá. A maior parte dos dias foi recheado entre o revezamento da ansiedade e do alivio. Olhando para minha trajetória no curso de letras, nas matérias de educação, a chegada nos estágios 1 e 2... percebo o quanto tudo valeu a pena.

Aprendi que a responsabilidade social do professor é muito grande. Não nos cabe apenas ensinar o conteúdo. Sempre vamos além. A mediação afetiva é inevitável e o possessivo em meus alunos se torna uma constante. Fico feliz com isso, afinal sempre quis fazer a diferença, mas ao mesmo tempo sinto-me como o poeta que tem penas “dois ombros e todo o sentimento do mundo”.

Coloquei toda essa carga de expectativas (e mais um pouco) no estágio docente supervisionado e, por isso, o caminho não foi tão suave – aliás, nada para mim é suave... Digressões à parte, já adianto: meu balanço é positivo! Se teria feito algo diferente? Muitas coisas. Alguma sugestão? Que a carga horaria seja maior, pois os cinco sábados apenas abriram nosso apetite, assim como são as entradas em um jantar francês. Ainda estou com fome!

Como disse em postagens anteriores, sou professora de espanhol. Dou aulas de português esporadicamente, para alunos particulares. Sendo assim, queria experimentar como dar aula de literatura, de gramatica, de texto na minha língua materna. Não poderia ter sido melhor. Falar sobre a crase, a concordância nominal/verbal, a literatura modernista... tem atividade melhor?

Segundo o PCN+ para o Ensino Médio, devemos, quais professores de língua portuguesa. Estimular as competências e habilidades que busquem “desenvolver no aluno seu potencial crítico, sua percepção das múltiplas possibilidades de expressão linguística, sua capacitação como leitor efetivo dos mais diversos textos representativos de nossa cultura” (p.55, leia o documento clicando aqui). Acredito que nos esforçamos para isso, mas demos apenas o ponta pé inicial. Para se alcançar objetivo dessa magnitude, é preciso um trabalho constante, quase diário.

Vou guardar com carinho as experiências que tive nesse estágio. Sou muito grata as minhas colegas e companheiras de trabalho Fernanda e Carol. Nossa dinâmica foi essencial para o bom desenrolar das aulas. Também agradeço a professora Viviane por tanta dedicação. Meninas, vocês arrasaram!

Sinceramente, não pensei que seria tão bom como foi. Acredito que nosso sucesso foi uma consequência da boa interação da turma, da dedicação e acessibilidade da professora, do nosso amor pelo ensino e pela linguagem, do suporte da regional de ensino e, é claro, da vontade de aprender que os alunos tinham.

Minha última leitura foi o livro Diário de Escola, do professor de francês Daniel Pennac. Ele conta como foi difícil crescer taxado como um “aluno lerdo”. Entre memorias e relatos sobre sua superação e dia a dia como professor, Pennac ressalta que para ser um bom professor, precisamos ter aquilo que hoje é tão clichê...o amor.

Ele termina o livro com a metáfora de uma andorinha machucada. Mesmo havendo um imenso espaço entre duas janelas, um espaço que “dá pra deixar passar todos os pássaros do mundo” (p.236), a andorinha vem voando rápido e colide contra o vidro.

O que devemos fazer com essa andorinha?

Temos que “pegar a andorinha derreada no fundo da mão – não pesam nada esses ossos cheios de vento -, esperar que ela

acorde e mandar ao encontro dos colegas. A ressuscitada voa, ainda um pouco grogue, ziguezagueando no espaço reencontrado, depois pica direto para o Sul e desaparece no seu futuro”. (p.236)

Para Pennac, o cabe ao professor resgatar o aluno que se desvia da rota e ajuda-lo a reencontrar seu caminho.

Minhas andorinhas de sábado estavam cansadas, com pouca motivação, as vezes com fome. Mas queriam voar, só precisavam de um empurrãozinho. Tentei fazer esse papel, mesmo sabendo que “não se consegue que tudo de sempre certo, erra-se as vezes no traçado de uma rota” (p.236). Mas tentei. Minhas andorinhas voaram. Não foram até o Sul, mas alcançaram o próximo galho. Espero que os próximos professores as ajudem a voar ainda mais longe.

#bastidores #despedida #saladeaula

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