Primeiras impressões

Atualizado: 20 de Fev de 2020


Bloomington. Ouvi dizer que o significado desse nome tem algo em comum com o desabrochar das flores. Isso me soou tão poético e combina tanto com a cidade que achei melhor não verificar se era verdade – como muitas outras na vida, resolvi acreditar.

Sonho com essa cidade há três anos. Quando cheguei aqui, nada parecia real... era como se eu estivesse dentro de cidade cinematográfica cujos sons, sabores e cheiros não se pareciam a nada com que conhecia. Tudo tão diferente, tantas novidades, planos. E que passarinho lindo e diferente era aquele, meu Deus!? Em meio a tudo isso estávamos meu marido e eu – e, quando refaço esse caminho, percebo o quanto sortuda sou, afinal, além de ter um ombro para recostar, tenho como compartilhar todas essas sensações com alguém que amo.

Chegar até aqui não foi nada fácil – tanto para conseguir a bolsa quanto a viagem em si, mas vou deixar essa história para outro dia. A escrita de hoje é mais pessoal, mais saudosa, menos burocrática.

Já faz uma semana que estou por aqui e não sei dizer se o tempo tem voado ou passado muito lentamente (pois é, as ideias de Einstein nunca fizeram tanto sentido para mim). Me confundo com os dias da semana, não me acostumo a mencionar o mês antes do dia, tenho um desejo enorme de beber café às 21:30 porque penso que ainda está de dia (nesse horário o sol ainda não se foi, já que estamos no summer), ainda não estabeleci uma rotina alimentar e por aí vai – pelo menos o fuso com o Brasil não é tão grande. Realmente, tudo é relativo nesse mudo.

Chegamos aqui no verão e a maior parte da minha bagagem é de frio. Lá no Brasil, todo mundo estava com tanto medo da neve que me deram casacos, cachecóis, botas, luvas. Mesmo suando nesse calor úmido de julho, sou muito grata a eles! De acordo com os rumores e relatos que escutei ao longo dessa semana, o inverno aqui não é nem um pouco misericordioso.

De todos modos, amei chegar no summer: a cidade está linda, cheia de animais (passarinhos, corvos, vagalumes, coelhos, patos, esquilos...), todo mundo está animado com as horas extras de sol e com a falta de engarrafamentos. Assim que entramos em Bloomington fomos para a Universidade. E aqui chego em um dos momentos mais complicados de explicar, porque fiquei muito, muito emocionada mesmo. Foi uma mistura de retrospectiva e ansiedade. Estava super feliz, mesmo depois de 30h de viagem.

Ao chegar no campus me lembrei da UnB com aquela dorzinha instigada pelo choque: aqui tudo tão cuidado, lindo... lá tudo sucateado, perigoso. A UnB foi meu segundo lar por sete anos e foi graças ao ensino que lá recebi cheguei até aqui. Uma professora me disse que a diferença se encontra no fato da UnB ser um lugar público e a IU um lugar de investimentos. Bom, acho que isso é apenas a ponte do iceberg, mas esse também é tema para outro post.

Desde que entramos em solo americano fomos muito bem recebidos. Eu estava com receio de encontrar apenas pessoas frias, distantes. Claro, encontrei pessoas assim, mas, no geral, tenho me deparado com pessoas extremamente atenciosas, educadas e dispostas a ajudar. Ninguém se irritou com meu inglês lento, ou com meus olhos perdidos. Mais uma prova que não vale nem um pouco a pena confiar nos estereótipos.

Assim que chegamos na rodoviária de Columbus, Ohio, me lembrei daquela história bíblica sobre a Torre de Babel. Em cada cantinho do ônibus havia uma nacionalidade diferente. E na hora de falar inglês, cada um tinha um sotaque – variações que deixariam qualquer linguista maluco. Entendi que essa é a América.

Por muito tempo defendi que os Estados Unidos não tinham o direito de possuir o nome de um continente, mas começo a repensar isso. Aqui tem gente do mundo inteiro e talvez por isso o inglês não seja a língua oficial. Essa variedade não parou em Ohio – o que fica evidente quando se chega em Bloomington. Não posso deixar de lembrar que as primeiras pessoas a nos prestar ajuda na Universidade foram Turcos.

Temos enfrentados desafios, já que nem tudo são flores nesse mundo. Mas hoje não quero falar sobre isso. Hoje estou feliz, realizada e esperançosa.

#indianauniversity #bloomington #foradobrasil #intercâmbio #pessoal

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