O inglês em minha vida – parte 1

Atualizado: 20 de Fev de 2020


Há três anos surgiu a ideia. Há dois chorei com a rejeição. Há um resolvi arregaçar as mangas e, nesta semana, faz um mês que estamos a milhas de distância do meu país. Comemoramos com boa conversa e brigadeiro – que não, não ficou igual ao do Brasil. Eu queria escrever algo especial para o blog...daí pensei, pensei e concluí que o ideal seria falar sobre o que realmente abriu as portas para mim: a língua inglesa.

Aos 13 anos meu pai disse que já estava na hora de meu irmão e eu estudarmos um idioma estrangeiro. Não sei como, mas ele decidiu pelo CCAA. Meu irmão escolheu o inglês, eu o espanhol. Não queríamos ficar na mesma sala e eu já estava cansada de me debater com o inglês.

As aulas na escola eram chatas pra caramba: além de ninguém prestar atenção (de modo que a aula de inglês era a mais barulhenta da semana e, para uma nerd como eu, isso não era nada legal), ficava frustrada por não conseguir pronunciar nada, ter que decorar a grafia das palavras e nunca sair do verbo to be. Por isso e mais um pouco, começar o espanhol foi um recomeço e tanto.

Quando as aulas começaram, fiquei super animada. Minha professora era mexicana e o método era interativo. Decidi que nunca mais ia precisar do inglês, afinal o espanhol estava entre as 3 línguas mais faladas no mundo e com ele daria par ame irar, ainda mais se eu tivesse um espanhol perfeito. Resolvi estudar todo dia. Músicas, YouTube, filmes. O resultado não poderia ser diferente: fiquei com um espanhol bem apurado.

O espanhol foi muito bom mesmo para minha vida. Gabaritei a parte de língua estrangeira do vestibular, viajei na América Latina, fiz traduções e comecei a dar aula aos 19 anos. Estava satisfeita, até que comecei a me sentir limitada pela falta do inglês. Não conseguia ler todos os textos da faculdade, perdia oportunidades de emprego, não falava com todos os estrangeiros que por acaso chegava a conhecer etc.

Então me matriculei num curso de inglês. Parei o curso porque estava muito cansativo. Depois retomei e parei de novo. E fiz esse jogo e começa e para várias vezes. Vontade não faltava, mas minha vida estava uma bagunça... trabalho, projeto de pesquisa, faculdade, troca de curso, namoro, noivado, casamento.

Eu precisava de mais tempo livre para me dedicar do mesmo jeito que fiz com o espanhol, mas não dava. Consegui um nível instrumental de inglês, ou seja, lia razoavelmente, escutava mais ou menos, quase não escrevia e falar.., ai, ai – sem comentários.

Até que um dia minha ficha caiu. Eu já estava cursando Letras e tinha aula Romantismo Português às 8h. A professora era substituta. Estava de licença do doutorado em Indiana University, Estados Unidos. Ela fazia um programa muito interessante: tinha uma bolsa de estudos e em troca dava aulas de português e espanhol para os graduandos. Seria tão legal se eu conseguisse isso também.

Literatura + sala de aula + espanhol = mundo ideal da Lais, onde Inglês equivale a zero na equação. Ops, só que não.

Para me candidatar para a bolsa (o que não significava aprovação) eu precisava dominar o inglês. Bom, vai que com meu inglês meia boca eu consigo os 80 pontos no TOEFL. Consegui ir bem em todas as fases, mas na hora da proficiência em língua inglesa... consegui 70.

Quase lá. Vai que cola. Mandei minha nota para universidade, mas 10 pontos é muita coisa quando se está falando de uma bolsa de estudos.

Fiquei de luto duas semanas. Depois levantei a cabeça, afinal eu ia desistir só por causa do Inglês? De novo o Inglês? Ah, não. Eu era mais forte que ele.

Resolvi enfrentar o monstro com duas horas de estudo diário, no mínimo – incluindo domingos e feriados. Isso durante um ano. Muito aconteceu nesses doze meses (num texto futuro vou contar pra vocês), mas o final da história vocês conhecem: consegui a bolsa!

Já escrevi muito por hoje e sinto que este texto tem um tom meio heroico, mas tudo bem. Às vezes o ego precisa de umas motivações e, no fim das contas, esse texto era de comemoração, não é mesmo?

#foradobrasil #inglês #intercâmbio

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