Aos professores de 2020, feliz 15 de outubro

Atualizado: 31 de ago.



Consegue se lembrar de alguém que te motivou neste ano, mesmo virtualmente? Na minha lista, há um par de amigos e professores. A propósito, os professores realmente nunca desistem... não, não há pandemia que derrube o instito pedagógico deles.


Aposto que você se lembra de pelo menos um professor que te marcou de alguma forma positiva. Qual é a primeira história que vem na sua cabeça?


Tia Raquel era mais moderna do que eu com essa mini saia linda =)

A cada ano que escrevo um texto para os professores, experimento uma sensação de impotência,. Há tanto para desabafar, defender, agradecer, sugerir, chorar, comemorar- tudo ao mesmo tempo.


Coloco minha mão no fogo pelo poder transformador da educação. Confio de olhos fechados em bons professores.


Obrigada, professores. Obrigada, Paulo Freire.


Quando foi mesmo que entendi que me tornaria professora?


Segundo a UnB, foi em 2015, mas a IU (Universidade de Indiana) diz que só em 2024. Eu digo que foi quando tinha seis anos...



A turma toda =)

Exageros à parte, minha primeira memória afetiva com uma professora foi nessa idade. Era minha primeira semana na escola Santo Antônio. Meus pais tinham me mudado pra uma escola maior do que a anterior, bem no meio do ano letivo da alfabetização.


Ainda me lembro daquela sensação intensa de vergonha e não pertencimento dos primeiros dias. Mal sabia que a aquela escola seria fundamental na formação dessa pessoa curiosíssima e metida a artista que sou hoje.


Minha memória começa assim:


Enquanto eu pintava um desenho qualquer em todas as direções, criando uma arte verdadeiramente caótica (qualquer semelhança com a Laís atual não é mera coincidência), a Tia Raquel andava pelos corredores da sala checando nosso trabalho.


Lindas! Esse meu sorriso fala tudo...

Graças aos meus olhos das costas, vi que ela tinha parado do meu lado com as mãos cruzadas, fazendo aquele biquinho de hum, isso não tá legal mocinha. Pronto, acabei de chegar, não conheço niguém e ela ainda vai me odiar porque eu não sei nem pintar e todo mundo vai saber que eu não sou legal e ninguém vai querer ser meu amigo e esse ano vai ser horrível.


(Ai, Laís, você carrega muita culpa, menina. Relaxa, gata. Vai ler a Brené Brown, vai.)

Gente, eu não tô de lorota. Eu me lembro desse dia desde sempre, da mesma forma, do mesmo jeitinho. Era muita vergonha, muita culpa, muito medo.


Eu só tinha seis anos e só tava pintando! (Se ao menos tivesse pintando o sete...) Nem entendia nada de patriarcado, machismo, toxidade. Dá até pra me entender melhor agora... free writing tem dessas manias terapeuticas.


Voltando pro causo:


Tia Raquel se abaixou na minha carteira, dizendo alguma coisa que já não me lembro. O que me lembro é do jeito dela comigo, ela falou baixinho, segredando algo só comigo.


Ufa. Ninguém tá escutando a gente.


Ela pegou minha mão que segurava o lápis de cor, mostando que para cada parte do desenho eu precisava escolher uma direção pra colorir. Viu só como fica ainda mais bonito?!

Com meu maninho amado, Didio

E foi ela quem me ensinou a ler e que avisou meus pais que eu precisava de óculos =)


De quantas formas essa professora me ensiou a ver, meu Deus!?


Depois dela, vieram

Adriana

Cíntia

Haroldo

Alessandra

Fernanda

Sônia

Osnir

Luizão

Luz

Antônio

Pedro

Simone

Maria

Virgínia

Luciana

Estela

Abeunde

Thomas

Alejandro

Grim...


A lista é grande e ainda deixo de fora aqueles professores que não tem a mímina ideia de são meus professores:

Leandro Karnal

Lilia Schwarcz

bell hooks

Brené Brown


Eles nunca terão ideia do tantão que influenciam meu desenvolvimento como mulher, ser humano e profissional. Sim, porque professor tem disso de acessar a vida pessoal dos alunos... ainda bem.


Aqui nos Estados Unidos, dizem que o professor que ensina sobre a vida é também um mentor. Particularmente, acho que todo bom professor é mentor. Paulo Freire sacou isso antes de todo mudo quando defendeu uma ensino horizontal e afetivo.


São mentores porque se importam.

Porque são freirianos desde o berço.

Porque se precisarem começar uma aula chorando, tudo bem!

Porque reconhecem quando falar baixinho

Quando fazer piruetas

Quando dar aquele tempo extra pro aluno terminar o assigment.

Porque sendo ou não brasileiros, não desistem nunca.


Obrigada, Tia Raquel, por abrir meus olhos.


Obrigada aos professores que fizeram a diferença na minha vida.


Obrigada a meu irmão, cuja coragem me fez deixar jornalismo e seguir a pedagogia.


Obrigada, Diera, por ensinar o Artur e por fazer a diferença na educação especial no Brasil.


Obrigada aos meus colegas daUnB.


Parabéns a todos nós.


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